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sábado, 3 de outubro de 2009

Gandhi e o espírito olímpico


"O meu patriotismo não é exclusivo. Engloba tudo.
Eu repudiaria o patriotismo que procurasse apoio na miséria ou
na exploração de outras nações.

O patriotismo que eu concebo não vale nada se não se conciliar sempre, sem exceções, com o maior bem e a paz de toda a humanidade."

Gandhi



Vencemos !!! Vencemos !!!

O Brasil sediará as Olimpíadas!!!






Sinceramente, estou muito feliz, e acredito que temos a grande oportunidade de fazermos a melhor Olimpíada de todos os tempos!!! Modesta, né?


Deixem-me explicar: temos um povo maravilhoso, simpático por natureza e que sabe receber seus hóspedes estrangeiros como ninguém, meu marido diz que no Brasil todo estrangeiro se sente em casa... E olha que disso ele entende bem....


Fiquei mais feliz ainda porque adoro o espírito olímpico de união, fraternidade e amizade... Além disso, fiquei muito curiosa quanto ao fato dessa votação ter sido no dia 02 de outubro, data do nascimento de Gandhi e dia em que comemoramos o Dia Internacional da Não-Violência...


Coincidência fantástica: o espírito olímpico com os ensinamentos de Gandhi, lembrei de um artigo que recebi do querido amigo Arthur sobre um livro de Tsunessaburo Makiguti sobre a competição humanitária, do qual transcrevo um pequeno trecho:

O que importa é deixarmos de lado os motivos egoísticos, empenhando-nos para proteger e melhorar não só nossa vida, a dos outros também. Devemos agir pelo bem dos outros. Beneficiando os outros, beneficiamos a nós mesmos. Estou plenamente convencido de que chegou a época, cem anos depois de ter sido proposta pela primeira vez, de dar mais atenção à competição humanitária como diretriz para a nova era.

Uma razão para tanto é que a justiça social e a igualdade, consideradas pelo socialismo como antídotos para os males do capitalismo, estão realmente enraizadas em princípios humanísticos. Não se pode permitir que esses ideais pereçam junto com o fracasso do sistema comunista. Seria condenar ao esquecimento uma das mais cruciais experiências do século 20 — a de como o movimento socialista atraiu a lealdade de tantas pessoas, especialmente dos jovens, em larga extensão do planeta.


A importância do pensamento de Gandhi foi lembrada no 140º aniversário de seu nascimento em frente ao seu túmulo na Índia, no memorial de Rajghat, com a homenagem dos principais líderes políticos da Índia: o primeiro-ministro, Manmohan Singh; o líder da coligação governamental, Sonia Gandhi, e o dirigente da oposição L.K. Advani, assim como vários ministros e alguns representantes estrangeiros, como o embaixador dos EUA, Timothy Roemer, que destacou a influência «direta e positiva» que as ideias de Gandhi tiveram em Barack Obama. A cerimónia contou, além disso, com a presença de representantes das religiões budista, bahai, cristã, sique, zoroastra, muçulmana, hindu e judaica, todas presentes na Índia. *1



Como todos já sabem, sou uma otimista de carteirinha!!!

E, lembrando-me de um programa de televisão que assisti na TV Cultura com a presença de diversas personalidades que discutiam algo sobre "a necessidade do povo brasileiro acordar e tomar o controle da vida do país", numa dessas insônias da madrugada, César Benjamin disse que faltava algum objetivo, alguma meta que unisse o povo para querer algo melhor e maior do que tudo que já existe, para que acreditássemos novamente em nós mesmos e no nosso país, César, eis nossa oportunidade!!!


E vejo que esse sentimento é compartilhado por muita gente:

Milton Neves: disse que "E só porque sempre existe a perspectiva de corrupção, vamos abrir mão da Copa e dos Jogos Olímpicos? Seria como dar um tiro na barriga da vaca para matar o carrapato."

José Paulo Kupfer: "Na emoção e no entusiasmo da vitória brasileira com as Olimpíadas de 2016, no Rio, resumi em uma frase curta o que, na minha opinião, significa o fato: o risco é enorme, mas as chances são muito maiores."


Pela primeira vez em muito tempo não via as pessoas com orgulho de serem brasileiras, talvez seja realmente o início de um novo período histórico para o Brasil, vamos sonhar? Independentemente de raça, religião, ideologia ou partido político estaremos unidos com o objetivo de construir um país melhor para todos nós!!!


Para quem ainda não viu, eis o discurso do nosso Presidente Lula (deixem de lado qualquer pré-julgamento e apenas ouçam...), seguido do filme de Fernando Meireles que expressa muitíssimo bem o que somos, pois somente somos brasileiros porque somos a miscigenação de mais de 100 nacionalidades diferentes, por isso somente nós sabemos ser tão solidários:





E quem quiser participar do SORTEIO DE LIVROS que farei no dia dos professores que está se aproximando, CLIQUE AQUI.

Abs a todos.






quinta-feira, 23 de abril de 2009

Debates sobre o racismo: ONU e Brasil

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”
Voltaire (filósofo iluminista, 1694-1778)


No último dia 21 de abril mais de cem países aprovaram uma resolução que determina o combate à xenofobia e à intolerância, durante a Conferência Mundial sobre o Racismo na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Genebra, Suíça. (1)

Da proposta original, foram retiradas exigências feitas por países islâmicos, como por exemplo: a delegação palestina queria mencionar o recente ataque israelense à Faixa de Gaza. Foi incluída no documento, no entanto, a rejeição ao sentimento de ódio ou repúdio a muçulmanos e ao islã, conhecido como islamofobia e também foi acrescentado um parágrafo sobre a importância de não ser esquecido o Holocausto, que já chegou a ser negado pelo líder iraniano Ahmadinejad. (2)

A declaração deste ano reafirma princípios acordados na primeira conferência, oito anos atrás, em Durban (África do Sul), quando Estados Unidos e Israel se retiraram porque muitos participantes exigiram do Estado judeu retratações sobre o tratamento dado aos palestinos. Na ocasião, Israel foi citado nominalmente no documento final. (3)

Este ano, as delegações norte-americana e israelense decidiram não participar, assim como as de outros sete países, o que motivou a declaração do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na abertura da conferência, sobre estar "profundamente decepcionado" com o boicote promovido por vários países ao encontro. (4)

Antes da conferência, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, se disse "chocada e decepcionada" com os boicotes e ainda que "Alguns Estados permitiram que uma ou duas questões dominassem sua abordagem do assunto, permitindo que eles tenham mais valor do que as preocupações de vários grupos de pessoas que sofrem racismo e formas parecidas de intolerância". (5)

A questão racial também foi o tema de vários debates promovidos no Brasil no mês de março, com a participação do juiz federal norte-americano, Emmet Sullivan.

A Escola da Magistratura Regional Federal da 2ª Região sediou um dos debates e convém destacar a apresentação do Ministro Herman Benjamim, que defendeu as políticas de ações afirmativas, destacando, inclusive, fundamentos como a solidariedade e a dignidade humana, presentes também na Constituição Cidadã de 88, alertando, no entanto, que tais políticas não devem ser meramente compensatórias. "No nosso país, não pode haver juiz neutro porque a nossa Constituição não é neutra. A Carta Magna brasileira diz expressamente como devem atuar os juízes em relação as políticas de ações afirmativas", afirmou. (6)

O juiz americano Emmet Sullivan, em sua participação, analisando o panorama mundial atual, lembrou que, mesmo com todas as políticas de ações afirmativas implementadas, ainda há muita discriminação. E deu como exemplo, o fato de que as mulheres ainda ganham menos que os homens. (7)

No evento promovido pelo Geledés, no dia 27/03, do qual participei a convite da Dra. Sônia Maria Pereira do Nascimento, o juiz americano Emmet Sullivan explicou sobre a maneira de seleção e nomeação de juízes para os tribunais americanos, citando ainda que na corte federal em que trabalha, existem atualmente mais mulheres, o que considera um grande avanço democrático. E ainda acrescentou que acredita que a nomeação dos juízes deve levar em consideração os aspectos culturais e étnicos, ou seja, precisa refletir a sociedade para que as decisões estejam alinhadas com a realidade.

Eu concordo com a Sra. Navi Pillay, porque do pouco que conheço, do pouco que já vi e vivi, concordo que diariamente pessoas sofrem de racismo e outras formas de discriminação ao redor do mundo. E também concordo com o juiz americano Emmet Sullivan de que os juízes precisam refletir a sociedade, realmente precisamos de decisões mais alinhadas com a realidade.

De qualquer forma, o documento final da Conferência da ONU conseguiu chegar a um consenso e isso é um grande passo para a humanidade, creio que no Brasil, embora ainda existam problemas, o multiculturalismo é a prova de que todos, independentemente de religião, cor, raça ou seja lá o que inventem para rotular as pessoas, podem viver em harmonia, haja vista o grande número de casais e seus filhos multicoloridos e multiculturais.

Já disse o sociólogo carioca César Benjamim, o melhor do Brasil é o povo, porque respeita, aceita e aprende uns com os outros, lembro como se fosse hoje uma aula que assisti em 1999, onde ele afirmou: "podemos comer na mesma refeição: arroz, feijão, sushi, batata frita, chucrute, e essa é uma das provas que o povo brasileiro aceita as diferenças e aprende com elas, até porque, de certa forma, somos descendentes de todas as nacionalidades."

Tenho uma grande amiga, que é descendente de chineses, italianos, portugueses, índios e negros, católica, casou com um descendente de japonês (creio que ele é budista) e tem duas filhinhas lindinhas, eu mesma, brasileira, descendente de italianos, portugueses (e também 01 francês e 01 negro, segundo minha saudosa tia-avó Carmen), católica de criação e espiritualista por opção, casei com um libanês, um árabe muçulmano shiita, descendente de fenícios e franceses.

O amor não é lindo??? Para quem ainda tem alguma dúvida, sugiro a leitura do best seller internacional, publicado em 19 idiomas: A massai branca, de Corinne Hofmann.

César Benjamim ainda disse, nessa ocasião, que essa característica do povo brasileiro o faz mais versátil que outras nacionalidades com menor contato multicultural, porque é nas diferenças que aprendemos mais. Eu concordo, pois sempre temos nosso plano A, B, C ou D para as mais diferentes situações, e isso nos ajuda muito na tomada de decisões empresariais. Posso dizer que sou uma otimista-realista (pois vejo que ainda temos muito a melhorar), mas eu acredito no amadurecimento de nossa democracia, acredito nesse povo brasileiro multicultural e multicolorido, e você?


* texto extraído dos sites UOL notícias e O Globo (1 a 5).

* texto extraído do site do TRF/2ª região (6 e 7).